Mostrando postagens com marcador Islamismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Islamismo. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 9 de agosto de 2016

SEXUALIDADE E ABORTO NO ISLAMISMO

Quando muçulmanos se casam, eles tem a responsabilidade de satisfazerem suas necessidades sexuais entre si e não deve existir nenhuma relação extra matrimonial. O adultério e a fornicação são pecados sérios, perante a lei islâmica é um delito grave. A razão na severidade na aplicação da pena é obvia: o resultado do comportamento irresponsável do adúltero gera, com freqüência, a destruição da família.

O Profeta (saws) desaconselhou tudo o que pudesse levar a promiscuidade dizendo: ‘A fornicação dos olhos é o olhar, a da língua é a palavra e a do pé é dirigir-se ao que Allah proibiu. ‘ (Abu Daud 2152)

A noite de Núpcias
Sunnah na noite de núpcias:

É recomendável rezar duas rak’ah - unidade individual da salat (oração) composta pela leitura de Al Fatiha de pé, uma inclinação e duas prostrações- juntos em sua noite de núpcias.

Quando Abu Sa’id (ra) contraiu matrimonio, Ibn Mas’ud, Abu Dharr e Hudhaifah (ra) lhe disseram: ‘ Quando você e sua esposa estiverem a sós, orem duas rakka juntos, logo depois disso peça a Allah que te agracie com o melhor dela e te proteja do mal que possa haver em sua alma. (Ibn Abi Shaibah)’

O marido deve, no momento de consumar o matrimônio, colocar a mão sobre a frente de vossa esposa, mencionar o nome de Allah, e dizer: ‘ Oh Allah! Peco que me agracie com o bem que há nela, e com as virtudes que a concedeu; e me refugio em Ti do mal que houver nela e de suas mas inclinações. ‘ (Abu Daud 2/248, Ibn Majah 1/617)

Também é recomendável dizer antes de iniciar a relação sexual: ‘ Em nome de Allah, Oh Senhor! Aparta o Satanás de nós e aparta-o de quanto nos conceda.’ (Bukhari 6/141), (Muslim 2/1028). Ou seja, aparta-o de nosso filho se for produto desta relação.
Bismillah, Allahuma jannibnash shaitan, wa jannibish shaitana ma razaqtana.

Como deve ser a relação entre o casal

A relação sexual é permitida em qualquer posição, sempre e quando a penetração se realizar por via vaginal. A respeito Allah disse:

‘Vossas mulheres são, para vós, como campo lavrado.  Então, achegai-vos a vosso campo lavrado, como e quando quiserdes.‘ (2:223)

O Profeta (saws) disse: ‘ De frente ou de espalda, sempre que seja pela vagina.’ (Bukhari 6/141, Muslim 2/1028)

Ibn Abbas (ra) relatou que os Ansar (socorredores), habitantes de Medina que responderam ao chamado do Profeta (saws) e o auxiliaram, que anteriormente, haviam sido politeístas e convivido com os judeus, mantinham relações sexuais com suas esposas somente de frente, como faziam os judeus, diferente dos muçulmanos da cidade de Mekka, que desfrutavam com suas mulheres de frente e de espaldas.

Quando esses emigraram para Medina, um deles teve problemas ao contrair matrimonio com uma muçulmana dos Ansar, porque esta se negava a ter relações em outra posição. Quando esta disputa foi transmitida ao Profeta (saws), Allah lhe revelou o versículo mencionado à cima. É recomendável realizar o wudu logo depois da relação sexual, antes de dormir.

E aconselhável não dormir após as relações sexuais até realizar o udu’ (ablução menor: purificação que deve ser realizado antes da salah ou ler o Quran).  Ayshah (ra) narrou: ‘ Sempre que o Profeta (saws) desejava comer ou dormir, logo depois de haver mantido relações sexuais e antes de realizar o ghusul, (ablução maior: banho que lava totalmente o corpo), lavava suas partes intimas e realizava o udu’. ‘ (Bukhari 288)

Em uma oportunidade, Ibn Omar (ra) perguntou ao Profeta (saws): Oh Mensageiro de Allah! Podemos ir dormir em estado de janaba? (estado maior de impureza ritual que requer o banho completo: ghusul). E o Profeta (saws) respondeu: ‘ Sim, logo depois de realizar o udu’.  (Bukhari 289)

E em outra versão: ‘ Sim, e realiza o udu se não o deseja.’ O wudu neste caso não é obrigatório, mas muito recomendável.

Relatou Ammar Ibn Iasir (ra) que o Profeta (saws) disse: ‘Ha três pessoas a quem os anjos jamais se aproximam: o cadáver de um incrédulo, o homem que usa perfume de mulher e quem houver mantido relações sexuais até que tenha realizado o udu’.  (Abu Daud 4174)

Também é recomendável que quem tiver mantido relações e quiser ter uma continuação, realize o udu’.  O Profeta (saws) disse: ‘ Quando um de vós mantiverdes uma relação com sua esposa e deseja ter outra seguidamente, que realize o udu entre ambas.  (Muslim 308) 
Em outra narração: ‘… que realize o udu porque isto o revigorizará.’ É permissível banhar-se juntos:

É totalmente permissível para o casal banhar-se juntos, ao mesmo tempo em que ambos observam um ao outro suas partes intimas.

Narrou Ayshah (ra): ‘ Banhava-me com o Profeta com um só recipiente de água, que se encontrava entre ambos, de tal maneira que nossas mãos chocavam-se dentro dele. Ele competia comigo, por que eu lhe dizia: Deixe algo para mim! Deixa algo para mim! E ambos nos encontravamos em estado de janaba. ‘ (Muslim 321)

Relatou Mu’auiah Ibn Haida (ra) que foi perguntou ao mensageiro de Allah (saws): ‘ Perante quem é permitido desnudar-nos? ‘ O Profeta (saws) respondeu: ‘ Somente pode se desvestir perante tua esposa. ‘ E perguntou: ‘Oh Mensageiro de Allah! Que acontece se outros parentes vivem conosco? O Profeta (saws) respondeu: ‘ Deve se assegurar que ninguém te veja nu. ‘ Disse: Oh Mensageiro de Allah! E quando me encontro só?  Respondeu (saws): ‘ Allah é mais digno de teu pudor que as pessoas.’

A proibição de manter relações sexuais durante o período menstrual

Allah proibiu as relações sexuais durante o período menstrual. Disse no Quran Karim :
‘ E perguntam-te pelo menstruo. Dize : ‘ É moléstia. Então, apartai-vos das mulheres, durante o menstruo, e não vos unais a elas, até se purificarem. E, quando se houverem purificado, achegai-vos a elas por onde Allah vos ordenou. Por certo, Allah ama os que se voltam para Ele, arrependidos, e ama os purificados. ‘ (2 :222)

O Mensageiro de Allah (saws) também proibiu de maneira explicita. Em algumas ocasiões disse : ‘ Quem manter relações sexuais durante o período menstrual, ou penetrar sua mulher por via anal, ou consultar um adivinho e crer no que ele disse, haverá negado tudo o que foi revelado a Muhammad. ‘ (Ibn Majah)

Narrou Annas Ibn Malik (ra) : ‘ Entre os judeus, quando suas mulheres estão em período menstrual, as expulsam de casa, não comiam nem dormiam com elas. Ao perguntar ao Profeta (saws) sobre este costume, disse : ‘ Convive normalmente com elas, e desfrute de tudo (referindo-se ao comportamento sexual), exceto a penetração’. (Abu Daud 255)

Qualquer um que for surpreendido por esse desejo e manter relações sexuais durante o período menstrual deve expiar esta falta com sincero arrependimento e realizar uma caridade equivalente a 4,25 ou 2,125 gramas de ouro.

Narrou Abdullah Ibn Abbas (ra) que o Profeta (saws) disse a uma pessoa que havia mantido relações sexuais com sua esposa durante o período menstrual : ‘ Oferece a alguém um médio dinar em caridade.’ (Tiróide 135)

O permissível durante o período menstrual

Está permitido tudo o que o parceiro deseja fazer para desfrutar um ao outro exceto a penetração e o contato direto das partes intimas.

Disse o Mensageiro de Allah (saws): ‘…desfrute de tudo (referindo-se ao comportamento sexual) exceto a penetração.’ (Abu Daud 67/1)

Também relatou Ayshah (ra): ‘Quando me encontrava no período, o Profeta me pedia para me cobrir da cintura ate as coxas com uma tela, de tal maneira que podia então encostar-se e desfrutar comigo.’ (Bukhari 300)

É permitido reiniciar as relações sexuais quando o fluido de sangue tenha terminado totalmente e a mulher encontre-se livre de todo resto de sangue. É recomendável que a mulher realize o ghusul ou o wudu.
Disse Allah no Quran :

‘ E, quando se houverem purificado, achegai-vos a elas por onde Allah vos ordenou. Por certo, Allah ama os que se voltam para Ele, arrependidos, e ama os purificados. ‘ (2 :222)

A proibição da sodomia

Allah disse :
‘ Vossas mulheres são, para vos, como campo lavrado. Então, chegai-vos a vosso campo lavrado, como e quando quiserdes. ‘ (2 :223)

O campo lavrado é uma metáfora que alude ao lugar onde o feto cresce e se desenvolve, ou seja, o útero, e não o anus, sendo que este não é lugar para a fertilidade da mulher.

Narrou Khuzaima Ibn Zabit (ra) : ‘ Um homem perguntou ao Profeta (saws) sobre penetrar em sua mulher de espaldas, e ele respondeu : ‘ É licito ‘. E quando o homem deu meia volta para partir, o Profeta (saws) o chamou e lhe perguntou : ‘ O que disse ? A qual via se referia ? Se o que quis dizer foi de espaldas e por sua vagina, então sim, é licito. Mas se o que quis dizer foi de espaldas e por via anal, então não, não é licito. Por certo Allah não se envergonha da verdade! Não penetreis as vossas esposas por via anal! ‘ (Ibn Majah 1924)

Também disse o Profeta (saws) :’ Allah não olhara a quem penetre a sua esposa pelo anus. ‘ (Ibn Majah 1923)

Métodos anticonceptivos

O Islam informa aos muçulmanos o conceito de família numerosa, e as bênçãos que existe na chegada de filhos, homens e mulheres, mas também é permitido o planejamento familiar.

É permitido recorrer a alguns métodos anticonceptivos, sempre que exista alguma causa que leve o casal a considerar esta medida, e a mesma seja tomada de comum acordo.

O Mensageiro de Allah (saws) autorizou a seus companheiros a realizar os coitos interrompidos.

Relatou Jaber (ra): ‘ Realizávamos o coito interrompido em vida do Mensageiro de Allah, enquanto o Quran era revelado, e Allah não o proibiu. ‘ (Ibn Majah 1927)

Os sábios mencionam as causas que permitem o uso desses métodos :
1- Quando a gravidez ou o parto põe em risco a vida ou a saúde da mãe. Disse Allah : ‘ E não se autodestruas‘.
2- Ante o temor de que uma nova gravidez prejudique a um filho que esta sendo amamentado. O Mensageiro de Allah (saws) considerou a gravidez da mulher que amamenta como uma traição, já que uma nova gravidez interromperia a lactancia do bebê, expondo-o a possíveis enfermidades por falta de defesa que somente o leite materno promove. Encontramos na atualidade métodos que impedem a gravidez evitando assim os objetivos que propôs o Mensageiro de Allah (saws): Proteger o bebê que se amamenta sem prejudicar a vida sexual do casal.

Métodos de controle de natalidade

Parte dos métodos de controle de natalidade disponíveis hoje são lícitos, é obrigação de cada muçulmano saber a opinião do Islam a respeito de cada um.

Método natural (coito interrompido)

O planejamento familiar usando o método natural, antes chamada método de ritmo, ou método de Biling, se baseia na abstinência de contato sexual durante os possíveis dias férteis da mulher. Sua eficaz depende da exatidão do cálculo do provável período de ovulação da mulher. O cálculo mais exato se efetua controlando as mudanças de temperatura corporal ou identificando as mudanças da mucosidade dos órgãos femininos. Esse é um dos métodos lícitos de controle de natalidade no islam!

Métodos de barreira

Os métodos de barreira na mulher consistem em um bloqueio do útero para impedir a entrada de esperma. O mais eficaz é o diafragma. Este dispositivo esta livre de efeitos colaterais.

No homem, o método conhecido é o preservativo, que não necessita supervisão medica e não tem efeitos colaterais.

Ambos os métodos se consideram homólogos ao que se sabe que os companheiros do Profeta (saws) usavam, e, portanto são lícitos.

O DIU

O dispositivo intra-uterino, o DIU é um pequeno pedaço de plástico e metal que se coloca no útero.

Este dispositivo gera um conflito na hora de estabelecer sua legitimidade de uso, pois alguns o consideram abortivo, e o islam considera sagrada a vida desde o momento da concepção.

Se o mesmo é abortivo (interfere a implantação do ovulo fecundado nas paredes do útero), então é ilícito.

Métodos químicos

Os anticonceptivos orais como a pílula são substancias químicas que funcionam alterando o modelo hormonal natural da mulher para que não se produza a ovulação. A pílula durante muitos anos foi a forma mais popular de controle de natalidade.

Este método pode ser utilizado com duas condições essenciais: a primeira é a obrigação de mencionar o uso das pílulas ao marido e o casal deve estar em mútuo acordo; a segunda é que a mulher que ingerir as pílulas não sofra efeitos colaterais prejudiciais para sua saúde.

Esterilização cirúrgica

Outra forma de controle de natalidade é a esterilização cirúrgica. Na mulher isso se efetua cortando e ligando as trompas de Falópio, os condutores que levam o óvulo do ovário ao útero. Esta operação se chama ligadura de trompas. No homem, a esterilização se leva cortando os dois condutores deferentes que levam o esperma dos testículos ao penis. Este procedimento se chama vasectomia.

Ambos os procedimentos são consideram ilícitos em primeira instância, salvo que exista uma necessidade médica.

A homossexualidade

O Islam proíbe a pratica da homossexualidade seja entre homens ou mulheres, e a considera pecado grave.

Disse Allah no Quran:
‘ E Lot, quando disse a seu povo: ‘ Vós achegais à obscenidade, em que ninguém, nos mundos, se vos antecipou!’ Por certo, vos achegais aos homens (alusão as praticas homossexuais, disseminadas entre o povo de Lot), por lascívia ao invés de às mulheres. Sois, aliás, um povo entregue a excessos. ’ (7 :80, 81)

‘ Vos achegais aos varões deste mundo?’ ‘ E deixais vossas mulheres, que vosso Senhor criou para vós? Mas, sois um povo agressor. ’ (26 :165, 166)

‘ E lembra-lhes de Lot, quando disse a seu povo: ‘ Vós achegais à obscenidade, enquanto a enxergais claramente? ‘ ‘ Por certo, vos achegais aos homens, por lascívia, em vez de às mulheres! Alias, sois um povo ignorante. ‘ (27:54, 55)

Estes versículos se referem à sociedade do Profeta Lot (as) que Allah enviou para que advertisse seu povo sobre seu errôneo proceder, mas eles ignoraram tais advertências, e como conseqüência Allah ordenou a Lot (as) a abandonar a cidade junto com sua família, e logo o povo de Sodoma foi destruído em sua totalidade por causa de sua incredulidade e da prática da homossexualidade.

O Islam proíbe as práticas homossexuais, mas não busca perseguir aqueles com tais inclinações, somente recomenda a quem sinta esse tipo de desejo que tomem como uma enfermidade e um desvio, e busquem a ajuda de um guia espiritual ou de um profissional, para poder assim controlar e curar ditas inclinações.

A proibição de difundir segredos de alcova

É proibido aos esposos difundir qualquer segredo de alcova, ou fazer comentários descritivos sobre suas relações a quem for.

Disse o Mensageiro de Allah (saws) a respeito: ‘ Entre as piores pessoas para Allah no Dia do Juízo estará o homem que depois de manter relações sexuais com sua esposa divulga segredos. ‘ (Muslim 1437)

O aborto

Toda vida humana é sagrada no Islam, desde a concepção até a morte. Só Allah é Quem pode determinar quando a vida deve começar e quando terminar.

Nossos corpos pertencem ao Criador, e nem homens nem mulheres tem o direito de maltratá-los.

O suicídio, a eutanásia (suicídio assistido) e o aborto são proibidos no Islam.

Não existem no Quran nem na sunnah do Profeta (saws) referencias que indiquem a legalidade do aborto. Pelo contrário, encontramos versículos que claramente condenam o assassinato de bebes, crianças, homens e mulheres.

‘… E não mateis vossos filhos, com receio da indigência: Nós vos damos sustento, e a eles. ‘ (6:151)

’E não mateis vossos filhos, com receio da indigência: ‘ Nos lhe damos sustento, e a vós. Por certo, seu morticínio é grande erro. ‘ (17:31)

‘… quem mata uma pessoa, sem que esta tenha matado outra ou semeado corrupção na terra, será como se matasse todos os homens. ‘ (5:32)

O Islam ordena que ao conceber a gravidez este seja sustentado durante toda sua gestação. Cada concepção é legitima e cada gravidez é desejada; não existe o chamado ‘gravidez não desejada ‘. Cada filho é considerado um presente de Allah.

No Islam todo embrião possui os seguintes direitos:
• O direito a vida desde a concepção.
• O direito a uma boa nutrição.
• O direito a não sofrer danos (por cigarro, bebidas alcoólicas, drogas, ou qualquer substancia perigosa).
• O direito de pertencer a uma família.
• O direito de herdar de seus parentes de acordo com a legislação Islâmica.
• O direito a receber ajuda de qualquer pessoa fora de sua família.

Todos esses direitos foram estabelecidos pelo Islam para as crianças há mais de mil e quatrocentos anos.

Ibn Taimiah, um dos grandes sábios do Islam, disse: ‘ É o consenso geral dos eruditos que o aborto é proibido ‘.

Al Ghazzali, outro grande sábio muçulmano, indicou que é um crime perturbar o desenvolver de um embrião.

Lamentavelmente o aborto é encoberto por baixos rótulos como:
‘ saúde reprodutiva ‘, ‘direitos reprodutivos ‘, ‘controle de fertilidade ‘, controle de natalidade ‘ e incluindo, ‘direitos humanos ‘, em uma clara contradição com o postulado onde as Nações Unidas expressa em sua carta Universal de Declaração dos Direitos Humanos que ‘ todo ser tem direito a vida ‘.

Os muçulmanos respeitam a decisão individual da mulher e seu parceiro, porém sentimos profundamente pelos pró-abortistas que se escondem atrás dos direitos da mulher e do planejamento familiar para promover o aborto!

Para a mulher, o aborto nunca é seguro, porque além de assassinar o feto, pode causar danos físicos e psicológicos como: a síndrome pós-parto, depressão, esterilidade, infecções e câncer.


O controle da natalidade é um direito concedido por Allah aos muçulmanos e só são proibidos os métodos anticoncepcionais, que de alguma forma, possa lesar o individuo e a comunidade!

ÉTICA NO ISLAMISMO

O Islã é a mensagem da mente, da razão e da ciência, do diálogo e do esclarecimento, uma vez que elucida qualquer coisa. No Islã não existe uma pergunta sem resposta e por isso o Islã não aceita a imposição de uma opinião ou teoria sobre outrem.

A religião ampla, que contém tudo 

O Islã inclui em si todos os campos da vida. Baseia-se no equilíbrio entre diversos setores tanto materiais quanto espirituais. Assim, a Doutrina Islâmica liga a mesquita à universidade, o trabalho à casa, a devoção à política, infiltra-se em diversas áreas, tais como a medicina, a sociologia, a educação, a devoção, a política, a economia, o esporte, os planejamentos do estado, os direitos e deveres, a legislação.

A Religião Islâmica é, também, um código de conduta completo e influi em tudo. O Islã é uma religião completa e preenche o vazio que a sociedade e o ser humano possuem no que tange à sua materialidade e espiritualidade.

A religião da virtude e da ética 

Um dos atributos mais importantes do Islã é sua amplitude moral e ética, sempre presente em nossa política, governo, trabalho, casa, escritório, arte, criatividade, medicina, família, relacionamentos, escola, rua, e em todos os outros campos da vida. Ao mesmo tempo, o Islã nos convida a nos afastar dos maus atributos.

A religião da sabedoria e do conhecimento

Os primeiros versículos revelados ao profeta Mohammad (S.A.A.S.) são: "Lê, em nome do teu Senhor que criou; criou o homem de algo que se agarra (coágulo). Lê, que o teu Senhor é o mais Generoso, que ensinou através da pena; Ensinou ao homem o que este não sabia". (96:1-5).

Buscar o conhecimento é obrigatório no Islã. Conhecimentos que trazem benefícios à sociedade, que não sejam maléficos e destrutivos. Estes conhecimentos são proibidos e pecado no Islã. Ele nos convida a não seguir cegamente os costumes e a cultura dos antepassados, mas incentiva a meditação, o pensamento e o equilíbrio mental.

Pois somente assim não seremos ignorantes e sempre seguiremos a verdade. Ele nos ordena a evoluir nos nossos pensamentos, incentiva a descoberta e o estudo das ciências para que possamos correlacionar o ser humano ao seu Criador.

A religião que ilumina os povos 

O Islã teve uma grande contribuição em levantar e ensinar as nações fortes que carregam a bandeira da orientação e da verdade. Isso não se limita somente à época e ao lugar de sua revelação. O Islã despertou, ensinou e levantou as nações e os povos do mundo todo, nunca restringindo sua grande civilização.

O Islã desenvolveu enormemente a química, medicina, física, matemática, astrologia e outras ciências, divulgando todo este imenso conhecimento para toda humanidade. Deste modo, a Civilização Islâmica foi seguindo até chegar à Europa, fazendo evoluir os povos, orientando-os para o caminho da felicidade.

O Islã teve um grande papel na instrução e civilização dos povos. Por isso, proibiu a destruição da alma, do corpo, do organismo, da mente e do espírito humanos, pois proíbe o consumo de qualquer tipo droga, qualquer alimento impura, que contamine a alma e acabe tendo como resultado um ser humano criminoso e não saudável.

A religião da vida 

A Religião Islâmica não é uma religião baseada somente na devoção, mas está ligada a toda a vida do ser humano, do estado e do Governo. O Islã está ligado a todos os aspectos do ser humano: seja no plano individual, social e político.

A religião praticada pelo seu revelador 

O Islã foi ponto de partida de todas as atitudes e práticas do profeta Mohammad (S.A.A.S.). Ele se baseou nas leis e jurisprudências islâmicas para fundar um Estado e um Governo Islâmico, que protegesse os oprimidos, injustiçados, pobres e fracos.

O Islã é a única religião que transformou seus lemas e palavras em verdades e em matérias tocáveis, que poderiam ser vividas entre os indivíduos. Então, fundou o primeiro governo "Divino" na face da Terra, na cidade de Medina, em Hijaz, no século VII d.C.

A religião universal 

O Islã não está limitado em sua geografia, na cor, na nacionalidade, no idioma, na raça, no sexo e na idade. Ele inclui qualquer ser humano. Os ensinamentos islâmicos são uma mensagem universal.

O Islã é a religião completa, que se baseia no amor e nos pontos em comum entre os seres humanos, respeitando as diferenças por todos nós sermos da mesma criação.

O Islã e o respeito à vida 

O Islã considera a vida humana sagrada. A ofensa sobre esta vida é considerada uma ofensa sobre a humanidade. O Islã proibiu matar a inocente alma humana - mesmo um bebê recém-nascido ou dentro do útero da mãe (aborto). Como considerou também ferir a si próprio um insulto sobre toda humanidade, porque o ser humano não tem poder sobre si - este poder é de Deus.

Por isso, o Islã crê que o assassino permanecerá eternamente no inferno. Deus disse no seu Livro Sagrado, o Alcorão: "Quem matar uma pessoa, sem que esta tenha cometido homicídio ou semeado a corrupção na Terra, será considerado como se tivesse assassinado toda humanidade" (5:32).

O Profeta Mohammad (S.A.A.S.) ensinou: "Para Deus acabar com o universo todo é mais fácil do que testemunhar o derramamento de sangue sem justiça". Todo ser humano deve ser respeitado. Qualquer ofensa sobre cor, raça, sexo, situação física ou financeira e idade é considerado pecado e crime no Islã.

A religião contínua e eterna 

O Islã, por ser a última mensagem monoteísta divina, foi preservada por Deus, permanecendo intacta para todas as épocas e lugares, até o final dos tempos. Esse é o grande milagre do Profeta Mohammad (S.A.A.S.), o Alcorão Sagrado, ao contrário de mensagens anteriores, que revelavam milagres limitados a determinados lugares e a uma dada época.


A promessa divina será cumprida em toda a face da Terra quando o Imam Al-Mahdi: um Messias apocalíptico islâmico (A.S.) e o profeta Jesus Cristo (A.S.) voltarem e fundarem o Estado e o Governo justo e verdadeiro no mundo todo.

A DOUTRINA DO ISLAMISMO

O Islã é a mensagem celestial que Deus revelou ao profeta Mohammad ibn Abdallah (S.A.A.S.: Salla Allahu 'aleihi wa Alihi wa Sallam: "Deus saudou-o e a sua Família e os abençoou ou A paz esteja com ele”) através do anjo Gabriel. É o resumo de todas as mensagens celestiais e tem como base o Alcorão Sagrado. O objetivo desta mensagem é ligar Deus ao ser humano e este a Deus, e baseado nisso, ele preenche todos os campos da vida humana.

O Islã tem dois aspectos: o espiritual e o jurídico. Por isso, ele está relacionado com todos os campos da vida, tanto materiais quanto espirituais. A dimensão espiritual do Islã consiste em:

O Monoteísmo

O Islã sempre pregou e confirmou o Monoteísmo e negou qualquer tipo de divindade criada pelo ser humano. Seu principal lema é "O testemunho sobre a divindade de Deus, o único". Ele é único, eterno, absoluto, jamais gerou ou foi gerado e ninguém é comparável a Ele. Por isso, somente Deus é a fonte da jurisprudência e da legislação que envolvem o ser humano, em qualquer lugar e época.

A Casa Sagrada de Deus em Meca, no Hijaz (Arábia Saudita)
Por meio desta crença, o ser humano faz uma aliança com o seu Senhor e com a Profecia. Por isso, podemos dizer que testemunhar que "não há divindade além de Deus" (La ilaha illa Allah) é uma filosofia de vida e não apenas palavras na língua ou teorias na mente.

A Justiça

A injustiça é um atributo maléfico e por Deus ser isento deste atributo, representa a justiça em si e nos convida sempre a praticá-la e a pregá-la, bem como a verdade. Com isso, combate qualquer tipo de injustiça e opressão dentro da sociedade. Assim, a Doutrina Islâmica objetiva uma vida cheia de paz e segurança para toda a humanidade.

Perante o Islã, não há diferença entre as classes sociais, entre o pobre e o rico, o subordinado e o soberano, o negro e o branco. O profeta Mohammad (S.A.A.S.) disse: "Os seres humanos são tal qual o pente, todos os dentes estão nivelados". Por isso, o Islã condena o terrorismo em todas as suas formas, seja na figura de uma pessoa, de grupos ou de um Estado, pois o terrorismo significa a ofensa sobre o direito dos outros, tanto materiais quanto espirituais.

A Profecia 

A Profecia é o meio de comunicação entre o ser humano e Deus. É através dele que são reveladas as jurisprudências divinas para o ser humano. Aceitar o profetismo é uma das crenças mais fortes e importantes da religião Islâmica.

Crer no profeta Mohammad (S.A.A.S.) é crer em todos os profetas, já que eles foram enviados com a finalidade de ensinar aos seres humanos o que Deus quer deles, o que Ele proibiu e autorizou, por isso o segundo testamento mais importante no Islam é "Testemunhar que Mohammad é o mensageiro e servo de Deus", já que ele é o último dos profetas e mensageiros e é também o resumo de todos eles. Foi ele quem nos revelou o Alcorão Sagrado, este que não foi redigido por ele, mas dito por Deus e revelado ao seu profeta e mensageiro Mohammad (S.A.A.S.) por intermédio do anjo Gabriel durante 23 anos.

O Imamato 

Para que a última mensagem divina revelada pelo concludente dos profetas (S.A.A.S.) continue como foi exposta, foram nomeados e escolhidos, por Deus, doze Imames (i.é, líderes espirituais) e sucessores para dar continuidade à função do profeta Mohammad (S.A.A.S.) de divulgar, proteger e ensinar os fundamentos do Islã para a humanidade.

O profeta Mohammad (S.A.A.S.) anunciou, sob a ordem de Deus, a vinda destes doze Imames (A.S.: A. Salamu Alaykum: A Paz de Allah esteja convosco!) para liderar a Nação Islâmica e para serem protetores e conservadores desta grande mensagem.

Ele disse: "Os Imames depois de mim serão doze, o mesmo numero dos apóstolos de Jesus". A nomeação dos sucessores após sua morte é algo muito relevante e lógico pelo tamanho da importância que o Islã representa na vida do ser humano e para que a Nação e a população não entrem em conflito.

O Alcorão Sagrado e o profeta Mohammad (S.A.A.S.) os nomeiam como Ahlul Bait (A.S.), que em português significa "Gente da Casa", ou seja, são seus familiares e seus descendentes (A.S.: Alayhi As-Salaam. "Essa sigla evoca uma bênção e é anexado aos nomes dos profetas que vieram antes de Muhammad e os anjos nobres ). 

O Islã crê que o décimo segundo Imam, chamado de "Al-Mahdi", nascido em 868 d.C., está vivo entre nós. Entretanto, está oculto de nossos olhares. Ele está vivo por um milagre divino, da mesma forma que o profeta Noé (A.S.), que viveu por mais de mil anos, e o profeta Jesus Cristo (A.S.), que também vive até agora.

O Imam (A.S.) observa todos os acontecimentos do mundo e na sua ausência a liderança pertence aos líderes tementes, sábios, que governam sob o conhecimento e as jurisprudências Islâmicas, que se baseiam nos ensinamentos do Alcorão Sagrado e na Tradição do profeta Mohammad (S.A.A.S.).

No final dos tempos, é justo que a verdade seja vitoriosa e a integridade tome conta deste mundo. É isto que a humanidade aguarda e deseja. Com a força de Deus e com a Sua proteção, o Imam Al-Mahdi (A.S.) será o salvador que aparecerá com a ordem de Deus.

Junto dele virá o profeta Jesus Cristo (A.S.), que rezará atrás dele. Deus disse no seu livro Sagrado: "Temos prescrito, nos Salmos, depois da Mensagem (dada a Moisés), que a terra, herdá-la-ão os Meus servos virtuosos" (Alcorão Sagrado - 21:105)

O Juízo final 

Crer na Ressurreição após a morte, pois Deus fará com que o espírito volte para o corpo, não para viver novamente na Terra, mas para ser julgado e viver eternamente. Assim, Deus nos julgará por nossos atos e nos compensará ou nos castigará.

Recompensará os fieis, crentes, obedientes e aos seus seguidores o Paraíso estará reservado. Castigará os infiéis, desobedientes, os injustos e os punirá com o fogo do Inferno. Isto foi pregado pelos profetas e confirmado por todas as mensagens celestiais.
É aconselhável, então, ao ser humano, praticar o desejo de Deus, pois assim seguirá ao Paraíso e não ao Inferno, uma vez que todos seremos julgados por nossos atos e atitudes. 

Depois da morte, o ser humano não se transforma somente em pó e acaba, mas é julgado no Dia do Juízo Final e recompensado ou castigado por todas as suas obras, sejam elas pequenas ou grandes. Deus disse no Alcorão Sagrado: "Quem tiver feito o bem, quer seja do peso de um átomo, vê-lo-á; e quem tiver feito o mal, quer seja do peso de um átomo, vê-lo-á" (99:7-8).
A religião conservada e protegida: 

A Religião Islâmica esteve conservada e protegida de qualquer tipo de modificação e desvios e continuará assim para toda a eternidade. Seus princípios e regulamentos nunca foram modificados, desde o dia de sua revelação e permanecerá assim até o Dia do Juízo Final.

Deus, louvado seja, disse no Alcorão Sagrado: "Nós revelamos a Mensagem e somos o seu Preservador" (15:9). Tudo isto atribui força para o Islã prosseguir sua caminhada na vida terrena.

A conservação do Alcorão Sagrado 

A conservação desta grandiosa mensagem é resultado da conservação dos versículos do Alcorão Sagrado, que há catorze séculos permanece intacto.

Este Livro Sagrado contém 114 capítulos e 6.348 versículos que tratam dos mais diversos assuntos: históricos, jurídicos, educacionais, sociais, econômicos, políticos, relativos à crença e tudo que está relacionado a esta vida também.

O Alcorão Sagrado foi revelado pelo arcanjo Gabriel ao profeta Mohammad (S.A.A.S.) que, obedecendo a sua função, repassou o conhecimento a toda a humanidade. O Islã não é religião de um povo eleito e muito menos defende este ponto de vista. Todos somos criados por Deus e a Ele retornaremos.

O primeiro sucessor do profeta Mohammad (S.A.A.S.), Imam Ali (A.S.), uniu e registrou, de acordo com a revelação, todo o Alcorão Sagrado revelado por Deus ao Profeta Mohammad (S.A.A.S.).

A Casa Sagrada de Deus (Caaba)                                                                         
           
Os muçulmanos rezavam, primeiramente, na direção da Mesquita de Al-Aqsa, localizada na Palestina, na cidade de Al-Qods (também conhecida por Jerusalém). Ela é a primeira Qiblah (ou seja, "Direção") das orações dos muçulmanos e o terceiro templo sagrado para o Islã. Porém, o Profeta Mohammad (S.A.A.S.) estava sendo pressionado pelos judeus pelo fato de os muçulmanos rezarem na direção desta Mesquita.

Por isso, um certo dia, Deus, louvado seja, ordenou que o Profeta se direcionasse à Caaba. Isso foi registrado no Alcorão Sagrado: "Vimos-te (ó Mensageiro) orientar o rosto para o céu; portanto, orientar-te-emos até uma Qiblah que te satisfaça.

Orienta teu rosto (ao cumprires a oração) para a Sagrada Mesquita (de Meca)! E vós (crentes), onde quer que vos encontreis, orientai vossos rostos até ela. Aqueles que receberam o Livro, bem sabem que isto é a verdade de seu Senhor; e Allah não está desatento a quanto fazem " (2:144). 

Entre a Sagrada Mesquita de Caaba e a Mesquita de Al-Aqsa ocorreu a viajem noturna do profeta Mohammad (S.A.A.S.). Deus disse no seu Livro Sagrado: "Glorificado seja Aquele que, durante a noite, transportou o seu servo, tirando-o da Sagrada Mesquita (em Meca) e levando-o à Mesquita de Al-Aqsa, cujo recinto bendizemos, para mostrar alguns dos Nossos sinais. Sabei que Ele é o Oniouvinte, o Onividente" (17:1) . Este acontecimento milagroso também foi registrado no Alcorão Sagrado e é chamado de Al-Isra'.

Atualmente, todos os muçulmanos do mundo rezam as cinco orações diárias e obrigatórias em direção à Caaba, localizada em Meca, na Arábia Saudita. Esta Casa Sagrada, que foi construída pelo profeta Abraão (Ibrahim) junto com seu filho Ismael (A.S.), é considerada o Templo Sagrado mais antigo da Terra.

Nesta Sagrada Mesquita existe a fonte de água chamada Zam-Zam, que surgiu sob os pés do profeta Ismael (A.S.) e existe até agora. Há também na Mesquita o Maqam Ebrahim - "Recinto de Ibrahim" - que representa o local onde o profeta Abraão (A.S.) orava.

Como também existe Hejer Ismail - "O Canto de Ismael" - onde o profeta Abraão (A.S.) residia com a sua família. Este é o destino de milhões de peregrinos muçulmanos de todos os continentes, em todos os anos. Deus disse no Alcorão Sagrado: "A primeira Casa (Sagrada), erguida para o gênero humano, é a de Bakka (Meca)  (2), bendita seja, servindo de orientação para a humanidade. Encerra sinais evidentes: lá está a Estância de Abraão, e quem quer que nela entre estará em segurança.

A peregrinação à Casa é um dever para com Allah, por parte de todos os seres humanos que estejam em condições de empreendê-la, entretanto, quem se negar a isso saiba que Allah pode prescindir de todas as criaturas" (2:96-97).

Em uma das quatro colunas de Caaba está engastada a Pedra do Paraíso, Al-Hajar Al-Assuad - "A Pedra Negra". 

A Caaba foi reconstruída inúmeras vezes, em diferentes épocas, como na época do avô do profeta Mohammad (S.A.A.S.), Qussai ibn Kilab, e também antes de o Profeta receber a Mensagem Islâmica. As reconstruções continuaram e, atualmente, a Mesquita de Caaba suporta mais de um milhão de fieis.

Estas ampliações e reformas que atingiram a Mesquita de Caaba incluíram, dentro do seu território, dois montes: Safa e Marwa. Na cidade de Meca e em diferentes regiões próximas existem outros sítios históricos que são considerados sagrados e religiosos e que recebem a visita, em todos os anos, de milhões de fiéis.

ISLAMISMO

Geograficamente, o Islamismo, religião fundada pelo profeta Maomé, é uma fé que predomina nos países do sol, aclimatizando-se melhor na longa faixa de terra que, partindo das praias africanas do Atlântico, segue para o Leste pela borda meridional do mar Mediterrâneo, inclinando-se depois em direção à Mesopotâmia, passando pela Península Arábica, alcançando o noroeste da Índia.

Dali chega, pelo Oceano Índico, até as ilhas tropicais da Indonésia e das Filipinas. Outro dos seus longos braços avançou célere para a Ásia Central, afastando os ritos fetichistas e pagãos, realizando conversões em massa.

Nos seus 1400 anos de existência, o islamismo conseguiu a façanha de converter 1/5 da humanidade à sua fé. Trata-se de uma religião que abriga todas as raças e todas as línguas.

Talvez, exatamente por esse seu ecumenismo, por essa tentativa de abraçar o mundo inteiro, é que ela terminou por conflitar-se com o cristianismo, que também nasceu no mesmo espaço geográfico e igualmente abriga o desejo de salvar e converter todos a fé de Cristo.

Maomé (Muhammad)

Ao contrário de tantos outros profetas, que só conseguiram sedimentar sua mensagem por meio de apóstolos, muito tempo depois da morte, Maomé viu ainda em vida sua obra ser consagrada. Em 630, depois de vinte anos de pregação, ele entrou em Meca como um vitorioso.

Conseguira converter ao Islã, a nova fé anunciada por ele, não só a cidade principal da Arábia, como toda a grande península da qual ela fazia parte. Nascido em Meca em 570, durante anos ele viajara como mercador pelas rotas dos desertos Saarinos, atividade que lhe permitiu juntar um bom patrimônio, especialmente devido ao seu casamento com a rica viúva Cadija.

Com o tempo, ele sentiu-se cada vez mais envolvido por preocupações religiosas, entregando-se à meditação em breves retiros que começou a fazer. Somente aos 40 anos, ao redor de 610, ele teve por fim uma revelação, quando o arcanjo Gabriel fez-lhe ver que o Todo-Poderoso o escolhera como o seu mensageiro. Retirado para uma gruta no Monte Hira, Maomé terminou por confirmar a aparição, dedicando-se então a pregar a boa nova. Só havia um Deus! Era Alá, e todos deveriam resignar-se perante ele (islam).

A revelação do Monte Hira


O arcanjo Gabriel aparece para Maomé

A escolha dele como "apóstolo de Alá" deu-se sob duas formas: uma intelectual e outra emocional. A primeira delas, a revelação propriamente dita (tanzil), fez dele o redator da Escritura Sagrada, do Corão (recitação) trazida a ele por um anjo.

A outra parte da revelação ocorreu em forma de uma inspiração (nahyi, ilman), responsável pela conversão do coração do Profeta, passando a regular a sua conduta e servindo como exemplo aos fiéis.

Maomé confiou a sua visão à sua mulher Cadija, que se tornou sua primeira seguidora, convertendo a seguir os seus próximos. A sua tentativa de ganhar o coração dos corachitas, tribo em que nascera, porém, trouxe-lhe os primeiros dissabores.

Maomé, como a maioria dos profetas, demorou para ser bem aceito na sua cidade, mas mesmo assim ele não esmoreceu em fazer da nova crença um poderoso instrumento para estabelecer novas bases sociais para os povos do deserto. O ponto da discórdia entre Maomé e os principais de Meca foi justamente a condenação dele à adoração dos ídolos. 

Os comerciantes da praça, e toda aquela chusma que vivia ao redor da Caaba, a pedra negra sagrada, (depois designada como Baitullah, a Casa de Alá na Terra) temiam que a pregação contra a idolatria afastasse os visitantes, estragando-lhes o negócio.


Já naquela época, Meca, por ser o local onde se encontrava o sagrado poço de Zem-zém (do qual o avô de Maomé foi zelador), de onde, desde tempos imemoriais, jorrava água, era uma cidade que acolhia peregrinos vindos dos diversos cantos do deserto.

O desentendimento deles com Maomé, fez com que o profeta se retirasse para a cidade vizinha de Medina. Este movimento, chamado Hégira (fuga), assinalou a data da Nova Era (16 de julho de 622), ano um do calendário muçulmano. Entrementes, o número de seguidores (muhadjirun) aumentava, opondo-se aos que se negavam à conversão, os munafiqun (os hipócritas, os que não aceitavam a nova fé).

O embate final deu-se na "batalha do fosso", em Medina, quando a cavalaria enviada de Meca fracassou ao tomar de assalto as posições do Profeta. Esta vitória, ocorrida em 627, abriu caminho para o Tratado de Hodaibyia, de 629, que assinalou a capitulação dos habitantes de Meca, permitindo que o Maomé retornasse vitorioso à sua própria casa.

Neste espaço de tempo, o profeta passara por três fases distintas: inicialmente, numa época entremeada por meditações e dúvidas, ele fora o eleito por Alá como o seu Anunciante, depois revelou-se um comandante de homens, um general, um estrategista, para finalmente terminar os seus dias como um conquistador e um estadistas, aquele que lançaria as bases de um estado islâmico.

A região da Arábia na época de Maomé, isto é entre os séculos VI e VII, pertencia à periferia do Império Romano do Oriente (Bizantino), também considerada área de interesse marginal pela outra potência daquela época, o Império Persa (Sassânida). 





Maomé ensinando aos fieis


A Arábia, por sua vez, uma península de mais de 3 milhões de km2, nada mais era do que um imenso deserto, habitado aqui e ali por pequenas tribos beduínas que, com suas caravanas de camelos, cortavam suas areias, dunas e montanhas, em todos as direções daquele mundo desolado. Elas viviam em intermináveis conflitos, travando guerras entre si, ou pela posse dos oásis ou para vingar um saque a que foram submetidas. Cada uma das tribos tinha um culto em torno dos seus ídolos particulares.

Maomé, importando o monoteísmo de suas viagens, também trouxe na bagagem a ideia de um império da lei e da ordem. O resultado disso foi o Islã, a fusão de uma mística religiosa baseada num deus único, onisciente e onipresente, com um estado de lei e ordem comum a todos habitantes do deserto.

O seu objetivo era estabelecer a paz entre eles, sendo que o sentimento de fraternidade islâmica deveria superar os códigos limitados dos clãs e das tribos, convertendo-as numa Umma, isto é a imensa comunidade dos crentes em Alá.

Os preceitos da nova fé

O Islamismo é uma religião que chama a atenção por sua absoluta simplicidade. 



Talvez por ter nascido no deserto e não ter encontrado de imediato nenhum império poderoso que o acolhesse, como ocorreu com o cristianismo em Roma (tornado religião oficial em 390) e com o zoroastrismo no Reino da Pérsia, o Profeta dispensou os aparamentos litúrgicos mais rebuscados, bem como um cerimonial solene e pomposo, tão comuns às outras religiões.

Se bem que aceita a existência de alguns mensageiros divinos, não há santos nem outros intermediários significativos entre o muçulmano (aquele que se submete a Deus, o crente) e o Único (Alá). O fiel comunica-se diretamente com o Todo-Poderoso, perante quem todos são iguais, sem distinção de qualquer espécie. Frente a Alá, não há ricos nem pobres, nem nobres nem párias.

Na sua época, o islamismo foi o mais poderoso instrumento de igualitarismo entre os homens, pois a pregação da caridade e da fraternidade tornou-se uma ponte que ligava os extremos sociais e aplainava os preconceitos contra os pobres.

Maomé nunca se viu como divino, dotado com uma outra natureza que não fosse a humana. O Corão, livro sagrado do islamismo, composto de suras (capítulos) e versículos, foi-lhe inspirado por Alá, não se trata de um testemunho como os Evangelhos cristãos, mas sim as lições do próprio Único às quais o fiel deve recitar.

Maomé considerava-se o derradeiro profeta de uma linhagem que começara com Moisés (que trouxe a Torá), passara por Davi (que escrevera os Salmos), Jesus (que aparece nos Evangelhos) e ele, Maomé, autor do Corão.

Justamente por isso, por ele ser o último dos profetas históricos, ele os superou. A adesão do crente ao Islã verifica-se pela obediência e o comprometimento com o que se denominou os cinco pilares do muçulmanismo, a saber:

1) a declaração de fé em Alá (shahada):
La ilaha ila Allah                           Muhammadun Rasulullah (لاإله إلا الله محمد رسول الل لاإله إلا الل): "Não há outro Deus senão Allah e Maomé é o Seu Profeta”. Esta é a crença mais fundamental no Islam e é o primeiro pilar do Islam. Foi a mensagem de todos os Profetas, como Abraão, Moisés, Jesus e Muhammad. 
2) oração diária: 5 vezes (salat);
3) a peregrinação à Meca uma vez na vida (hajj ou Hégira);
4) a prática do jejum religioso (no mês do Ramadã);
5) e, finalmente, o compromisso com a caridade (em forma do dízimo, o zakat).

Alguns supõem que também faz parte das obrigações, entrando como o 6º pilar, a adesão à jihad, a guerra santa na defesa do Islã.

Jihad (جهاد)

Literalmente significa "luta." Qualquer esforço sério no caminho de Deus, para a justiça e contra a injustiça. Existem diferentes formas de jihad. Há uma jihad nafs (ou seja, que se esforça para resistir às tentações e purificar-se dos traços negativos). Há também a jihad física contra os transgressores e opressores que constituem uma ameaça física ou religiosa para os muçulmanos. 

A mesquita e a prece


Interior da mesquita de Córdoba

Tal como o judaísmo ensejou a sinagoga e o cristianismo a igreja, o islamismo também criou o seu próprio templo: a mesquita (do árabe mosqe, derivada de masjid, lugar onde se prostra).

A primeira delas foi fundada por Maomé em pessoa, na época em que esteve exilado na cidade de Medina. No chão dela encontram-se espalhados, em linha, os tapetes sobre os quais os fiéis fazem a prostração e rezam as orações, sempre voltados em direção ao mihrab, um nicho fixado na parede que indica a direção de Meca.

É obrigatório aos que a frequentam retirar o calçado em sinal de respeito como um gesto de purificação (deixa-se a poeira da rua na entrada). As preces são presididas por um imã, do alto de um minbar (púlpito), que também é o responsável pelo khutbah (o sermão), não havendo, porém, um corpo oficial de sacerdotes responsáveis pela liturgia.

Na mesquita não devem existir reproduções de figuras humanas ou animais, pois esta foi uma proibição expressa pelo Profeta. Em compensação ela pode ser decorada com passagens do Corão, escritas em bela caligrafia, ou ainda profusamente decorada com arabescos.

Para chamar o povo às preces, instalou-se no alto dos minaretes que cercam a mesquita, o muezim, que lá de cima avisa, com voz forte e ondulada, a hora da salaah (oração) que se divide ao longo do dia em cinco momentos: a fajr (ao amanhecer); a zuhr (ao meio-dia); a asr (durante a tarde); magrib (ao entardecer); e a ishha (à noite).

Em cada uma delas a recitação é:
1)           Allaabu Akbar (recitar 4 vezes: "Alá é o maior");
2)           Ash'hadu an laa ilaaha illallaah (recitar 2 vezes: "Sou testemunha de que não há nada senão Alá");
3)   Ash'hadu anna Muhammadar-rasulullaah ("Sou testemunha de que Maomé é o mensageiro de Alá");
4)           Haya 'alas-salaah ( recitar 2 vezes: "Venham rezar");
5)           Ilaya 'alal falaah (recitar 2 vezes: "Venham para Deus");
6)           Allaaku Akbar (recitar 2 vezes: "Alá é o maior");
7)           Laa ilaaha illallaah ( e uma vez: "Não há nenhum Deus senão Alá").

O Corão, livro sagrado do Islã

O Qu´ram (O Corão), livro sagrado dos muçulmanos, é um conjunto notável de ensinamentos de Alá transmitidos ao profeta Maomé ao longo da sua existência. 





Supõe-se que a maioria das 114 suras (capítulos), de que ele é composto, foram-lhe inspirados em Medina e Meca, sendo imediatamente registradas, copiadas e recitadas, pelos seus seguidores, entre os anos de 610, ano da conversão de Maomé, até a morte dele em 632.

Supõe-se que a maioria das 114 suras (capítulos), de que ele é composto, foram-lhe inspirados em Medina e Meca, sendo imediatamente registradas, copiadas e recitadas, pelos seus seguidores, entre os anos de 610, ano da conversão de Maomé, até a morte dele em 632.

Provavelmente outras passagens foram-lhe acrescentadas até o ano de 650. Como a linguagem de Alá nem sempre é facilmente entendida, suas alusões foram motivo do surgimento de uma ciência de interpretação, feita pelos doutores corânicos, os teólogos islâmicos.

O Corão é um imenso tratado moral e ético que serve para orientar o crente a encontrar o bom caminho, tentando fazer com que os homens reprimam os seus instintos piores, que resistam à maldade e à perversão, encontrando consolo e apoio nas palavras enviadas do além diretamente por Alá.

Escrito em árabe, a língua preferida pelo Todo-Poderoso, as cópias do Corão vão estimular várias escolas de caligrafia, cada uma delas procurando esmerar-se em tornar o texto uma obra de arte.

Por organizar-se ao redor de um só livro é que o islamismo terminou por considerar os outros "Povos do livro", como os judeus e os cristãos, como aparentados ao maometanismo, todos filhos de Abraão.


Símbolo do meio fértil crescente entre Meca-Medina onde nasce a estrela: O islamismo