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segunda-feira, 8 de agosto de 2016

A ÉTICA HINDUÍSTA E O ABORTO

No Hinduísmo, a concepção de um menino dá status à mulher e à família, pois continuaria a função do pai; o início da vida começa com a concepção. O coração é a sede da alma. 

Considera-se que a alma e a matéria que formam o feto estão unidas desde o momento da concepção. Segundo a doutrina da reencarnação, considera-se o feto como uma pessoa desde o primeiro momento de sua existência, e não em função de seu desenvolvimento. O feto é integrado por uma alma que renasce e assim deve ser tratado. Toda vida é considerada sagrada, já que todas as criaturas são manifestações do Ser Supremo. Como consequência disso, a tradição e as escrituras hindus condenam desde os tempos mais remotos a prática do aborto, a não ser que a vida da mãe se encontre em perigo. 

O aborto é considerado um ato contrário à rita (a lei cósmica) e àahimsa (a na oviolência). O misticismo hindu predica que o feto é uma pessoa viva e consciente, que necessita e merece proteção. As escrituras hindus se referem ao aborto como um garha-batta (matar no ventre) e um bhroona hathya (matar uma alma não desenvolvida).

- Um hino do Rig-veda [7.36.9, RvP,2469) pede que se proteja o feto.
- O Upanishad Kaushîtaki (3.1 UpR, 774) considera o aborto como equivalente a um parricídio.
- O Atharva Veda (6.113.2 HE, 43) inclui entre os maiores pecadores quem mata um feto (brunaghni). - O Gautama Dharma Shastra (3.3.9 HD, 214) considera que aqueles que participam desse ato perderam sua casta.
- O Sushruta Samhita - tratado médico (~100 a. C.) assinala a conduta que deve ser adotada em caso de problemas sérios durante um parto (capítulo Chikitsasthana, Mudhagarbha).

Para isso, descreve as diversas etapas que devem ser cumpridas para tentar salvar a mãe e o filho. "Se o feto estiver vivo, deve-se tentar extraí-lo vivo do ventre de sua mãe..."(sutra 5). Se estiver morto, pode ser removido. Caso o feto esteja vivo, mas não possa nascer sem perigo, a extração cirúrgica é proibida já que "seria prejudicial para a mãe e o filho. Ante uma situação irremediável, é preferível provocar o aborto do feto, pois devem ser utilizados todos os meios para evitar a morte da mãe" (sutras 10-11).

No entanto, o hinduísmo geralmente deixa ao indivíduo a decisão de se o aborto é ou não ruim, apesar de estar associado a um mal karma. Na Índia, podemos observar a prática do aborto seletivo das mulheres. A política eugenista de Indira Gandhi impôs de maneira violenta o aborto e a esterilização. Isto permitiu ao mais forte eliminar o mais débil, e desvalorizou as crianças e, em consequência, a mulher. 

Esta mesma lei do mais forte também alterou o princípio do dote. Em lugar de o marido oferecer a sua esposa um capital - fruto de seu trabalho - como demonstração de seu compromisso, desde o século XIX a prática se inverteu: é o marido que exige um capital à família da esposa. Isto significa a ruína para as famílias que têm filhas; é por isso que as meninas são abortadas!Por causa de seu relativismo, o hinduísmo carece de autoridade moral suficiente para impedir este absurdo.

A contracepção é um tema controverso para os hindus e nenhuma posição firme a esse respeito foi adotada. Em geral, acredita-se que a contracepção não é desejável, porém, não é proibida. No tempo dos Vedas, não existiam os métodos que conhecemos atualmente, por isso os Vedas não falam sobre isso em particular.

Alguns hinduístas não autorizam a contracepção já que a finalidade da sexualidade é a procriação. Outros acreditam que a contracepção é boa porque os filhos deveriam ser uma alegria e opinam que estas práticas não afetariam a alma. Alguns outros só aceitam a pílula e a esterilização, já que todos os outros métodos matam os espermatozoides, o que é proibido pela ahimsa. Mas só quem analisar a questão seriamente verá que, em particular, os contraceptivos hormonais e os dispositivos intrauterinos possuem efeitos abortivos, e por isso devem ser classificados dentro da categoria do aborto. A moça antes de menarca (menstruação) deve ser dada em casamento para não se extraviar sexualmente (BIAZI; PEGORARO, 1997, p. 404-410).

ÉTICA NO HINDUÍSMO

O nome hinduísmo foi dado pelos europeus para a religião indiana (4.000 anos a. C.) segundo alguns autores (Hans Küng, John Bowker, etc.).

No hinduísmo não se trata, em primeira linha, de proposições a serem cridas, não se trata de dogmas nem de uma ortodoxia: o hinduísmo não conhece nenhum magistério. 

Trata-se, pelo contrário, do reto agir, da correção ritual, do costume – tudo quanto constitui uma religiosidade vivida... e da grande destinação do homem, dos deveres que o homem tem para com a família, para com a sociedade e para com Deus e com os deuses (devas). Um hinduísmo é uma religião alegre!

ÉTICA HINDUÍSTA (KÜNG, 2004, p. 89-91)

Muitos críticos colocam a culpa da pobreza e da miséria das massas indianas na Ética hinduísta que consiste basicamente em:

pensamento voltado para o além;
a crença no destino;
resignação em face das injustiças sociais;
o sistema de castas.

Esses elementos da ética hinduísta, desde os primórdios, trazem consequências nefastas à vida dos indianos, a saber:

- falta de responsabilidade política;
- passividade social;
- indiferença ante à crescente corrupção.

No entanto, o presidente da Índia, K. R. Narayanan, afirmou que o Hinduísmo, desde o início e, sobretudo a partir do movimento de renovação do século XIX, sempre existiu a vigorosa tradição de um etos, de valores, normas e atitudes éticas, advindos da grande cultura escrita dos Vedas, embora muito dispersos.

Falta no sânscrito uma palavra exata para etos ( a que mais se aproxima talvez seja achara que significa well-going (ir bem), ou seja, bom comportamento. Também existem apenas poucos tratados sistemáticos de ética.

No entanto, no século II a.C. encontramos uma primeira sistematização da ética. Provém de Patanjali, o fundador da filosofia da ioga, de orientação muito prática. Ele ensina a libertar o espírito (atmã ou purusha) da matéria por meio de esforços sistemáticos para controlar as forças físicas e psíquicas da natureza humana.

O itinerário de 8 (oito) níveis de seus sutras de ioga se inicia no primeiro nível com a yama, o autodomínio. Ele exige aqui cinco exercícios éticos a serem realizados em pensamentos, palavras e obras, que (em analogia à segunda tábua do Decálogo) poderíamos denominar de elementos de um etos básico, a saber:

a não violência, o não ferir (a-himsa);
a veracidade (satya);
o não furtar (a-steya);
a castidade, a vida pura (brahmacharya);
a não cobiça, o não possuir (a-parigraha).

Mais ainda que Patanjali, no entanto, a Bhagavadgita transmite impulsos para uma estruturação ética do hinduísmo, mais precisamente aqueles setecentos versos da Poesia didática religiosa e filosófica da epopeia de Mahabharata (sexto livro), que em suas passagens mais antigas já poderia ser proveniente do século III a.C.

A Bhagavadgita é a escritura sagrada mais conhecida e de maior influência, muitas vezes, chamada de evangelho do hinduísmo e, ao mesmo tempo, um dos grandes documentos éticos da humanidade. Pois:

mostra-se dogmaticamente aberta: coloca frente a frente diversas concepções filosóficas (monismo–dualismo, teísmo-panteísmo, sacrifícios-rejeição do ritualismo), uma ao lado da outra. Diferentes escolas e grupos religiosos podem nela basear-se, encontrando aí a fundamentação para suas interpretações (muitas vezes mutuamente contraditórias);
possui um ponto de partida realista: não um ashram (templo) nos bosques ou uma vida no isolamento, mas sim um campo de batalha, o “lugar de luta” da vida, com todos os seus conflitos externos e internos. Dentro desse contexto são encontradas respostas para problemas perfeitamente concretos;
defende claramente um etos mundial: não uma “ética”, no sentido de um sistema ético, mas sim um etos, no sentido de uma atitude moral. Não é exigida uma ascese, por exemplo, nem uma renúncia monástica ao mundo com o fim de livrar-se do fluxo dos nascimentos.
 Mas sim uma atividade unida a um distanciamento do mundo, que em larga escala também pode ser aceita por um judeu, por um cristão ou por um muçulmano, por um budista ou por um confucionista: “Cumpre teu dever no mundo, mas não te deixes vencer por ele!” Portanto, um engajamento sem vício e sem escravidão!

Já na Bhagavad-Gita se encontram os três caminhos clássicos para a salvação, merecedores de reconhecimento, mas que culminam no terceiro:

• o caminho do conhecimento (jnana-marga): para superar a ignorância (pela meditação, pela ioga, pela filosofia);
• o caminho da ação (karma-marga): agir não apenas no terreno ritual-bramânico, mas também no terreno social e religioso;
• o caminho do amor a Deus (bhakti-marga): cada vez mais o caminho preferido, porque sem qualquer restrição pode ser percorrido também pelas castas mais baixas ou até pelos sem casta.  A Bhagavadgita também culmina no amor a Deus, com as célebres frases: “Pensando em mim, venerando-me, sacrificando-me, inclina-te diante de mim! Então me alcançarás” (BHAGAVAD-GITA, 18,65).

HINDUÍSMO


OM (AUM): o símbolo religioso do Hinduísmo que abarca todo o Universo


TAJ MAHAL: Símbolo político e cultural da Índia

INTRODUÇÃO: HISTÓRICO

Não se pode indicar a data do nascimento do Hinduísmo.
No terceiro milênio a. C. havia, junto dos rios Indo e Ganges, uma civilização já bastante avançada. Entre 2000 e 1500 a.C. o povo ariano destrói essa civilização e estabelece ali a religião védica. Veneram muitos deuses. Entretanto aparecem os Upanishades que forneceram uma nova direção para a tradição védica. O seu estudo deu lugar ao bramanismo (religião dos sacerdotes, Brâhmanes) e depois, no início da nossa era o hinduísmo.

Livros sagrados

Vedas (Palavra sânscrita que significa "conhecimento divino").

Os Vedas são hinos escritos em sânscrito arcaico do séc. XII ao V a. C. e foram cinco coleções ou Samhita, que teriam sido reveladas por Brahma aos rishi, ou sábios: é o "shruti", ou revelações. 

Divide-se em:
Rig-Veda: ou veda das estrofes, composto por mil e vinte e oito hinos dirigidos à divindade;
Yajur-Veda: ou Veda das fórmulas sacrificais, composto por cinco coleções de formulação poética;
Sarna-Veda: ou Veda das melodias compreende muitas estrofes acompanhadas quase sempre por notações musicais arcaicas para uso dos cantores.
Atharva-Veda: ou dos contos mágicos, composto por trechos cosmogônicos e místicos. 

Os Vedas foram comentados, explicados e completado por outras obras.      

Brâmanas: Série de livros que servem de comentários explicativos aos Vedas e de guia aos sacerdotes nos sacrifícios. Os mais antigos parecem situar-se no séc. VII a. C.
Upanixades: Comenta as Vedas. São textos de doutrina oculta, compostos entre o VII a. C. e a época medieval que contêm, de forma não sistematizada, os temas fundamentais filosofia indiana.
Mahabharata: Longo poema escrito ao longo de alguns séculos; é constituído por fábulas e dissertações morais sendo a mais célebre a Bhagavad-Gita, ou canto de Bem-aventurado. Fundamento particular de devoção a Krishna, ensina a conduta correta.
Ramayana:  E o mais antigo poema épico-religioso. Compõe-se de 50000 versos e conta as aventuras do herói Rama, encarnação de Vishnu.

A fé

O hinduísmo professa três deuses principais: Brahma, que vem da raiz brah e que significa crescimento. Brahma é a personificação masculina do Absoluto, pai e origem de todas as coisas, criador do Universo.
É representado com quatro caras e quatro braços (16 ao todo) para indicar a sua onipotência. Está presente em todas as coisas podendo manifestar-se sob qualquer espécie humana, animal (vacas sagradas, elefante) ou mineral (rio Ganges).
Assim se revela um panteísmo, mas eles se consideram monoteístas. Vishnu é a divindade solar que preside as coisas criadas, conservando-as e fazendo-as prosperar. Shiva é oposto a Vishnu, e é chamado o "destruidor".


TRIMURTI: Brahma (Criador), Vishnu (Conservador) e Shiva (Destruidor)

   


                                                         
                   

Ganesh           


deus da prosperidade. Filho de Shiva e Pavarti

Entre muitos outros deuses podemos mencionar Rama e Krishna descendente de Vishnu. O hindu acredita na reencarnação das almas, depois da morte, segundo os méritos. Acredita também na possibilidade de libertação do homem do ciclo da reencarnação.

Krishna


Um avatar de Vishnu

Culto

Os atos da vida dos hindus revestem-se dum caráter sagrado e devem obedecer a ritos precisos, públicos ou privados.

A oração deve fazer-se, pelo menos duas vezes por dia, ao nascer e pôr do sol.
Recitam-se textos dos Vedas e oferecem-se flores e fogo à divindade a que se presta homenagem.
Existem os brâmanes, sacerdotes que consagram a sua vida aos deuses.
Muitos ritos e festas domésticas acompanham a vida, desde a sua concepção até à morte, passando pelo dom do nome, iniciação religiosa (entre os oito e dez anos), casamento, entre outros.

Festas

Uma religião com tantos deuses (devas) tem festas inumeráveis – mais de 40 por ano, variando segundo as regiões. Embora sendo difícil citá-las, indicamos as principais:
Durga-puja – É a festa em honra de Durga, deusa da fecundidade, esposa de Shiva. Celebra-se em Outubro – Novembro. São dez dias de procissões e cerimônias, nos templos.
Sivaratri – Em Fevereiro, em honra de Shiva, os fiéis decoram os templos e passa lá a noite.
Diwalí – Celebra-se em Outubro – Novembro, na lua nova, em honra de Lakshmi, deusa da prosperidade e da felicidade, É a festa das luzes. Veem-se lâmpadas, por todos os lados, nos templos, nas casas, nos caminhos, no mar...
Holi – Em Fevereiro – Março, com danças e procissões, festeja a Primavera, a fecundação, o deus do amor.